4.2.10

fucking matter of opinion, yeah (ou apenas nada que fazer...)


ontem à noite, liguei a teelvisão e vejo a rosa lobato faria numa bela pose a desafiar o poeta Carrapito entretanto entrevistado pelo António de Sousa.

a primeira coisa que me veio à cabeça foi a mais perfeita imagem da direcção de informação da rtp que já vi até hoje, representada (criada?) pela maria rueff no seu programa.


quando alguma personalidade morre, há sempre aquele programazinho merdoso que é exibido em jeito de homenagem, o qual invariavelmente estraga os planos a muita gente que planeava ver aquilo que estava programado para decorrer a essa hora (por acaso, não foi o meu caso). aparentemente, não há leis que impeçam isto. quer dizer, eu sou contra leis que impeçam a interrupção de um programa por um directo relacionado com uma guerra ou uma apresentação de demissão de um político, pois creio que a sua relevância permite o alerta (trata-se, de facto, de um). mas ao que parece não há nada que impeça um canal de alterar a sua programação ao seu belo prazer, nem tão pouco de programar uma grelha que refere apenas que a determinada hora será exibido um "filme a anunciar".


mas não é disso que falo.


falo da putrefacção de ideias naquela casa. sim, é o canal estatal, mas isso não impede que ele evolua. deve, aliás, dar mais passos em frente que ao contrário, não exibir uma bandeira de um portugal pequeno, simplório, sem ideias ou vontades. devem-se manter, sim, aqueles programas que muita gente diz que não vê jamais, mas que são realmente vistos por muitos, desde o jorge gabriel, a tânia ribas de oliveira, o fernando mendes, o malato, enfim, esse género simples de entretenimento. mas os programas de homenagem (quase sempre repetidos, repescados à gaveta), com a sua música melada e não sei que propósito, são, na minha opinião, uma espécie de retrato de um portugal a que já ninguém liga, que ninguém quer ver, de um povo que pertence ao passado. de gente agarrada ao passado. (poderia dizer de velhos, mas não quero insultá-los nem acho que se devam cancelar os programas a eles destinados.)


lembro-me sempre de um esterótipo meu, o das velhas santa casa, aquele tipo de velhas que por cá há, conservadoras, jarretas, snobs, DATADAS, pérolas falsas ao pescoço, casadas com militares ou algo do género, permanentes de betão. esse portugal existe, sim, mas não é preciso fomentá-lo. ele já está a desaparecer, pertence a outro tempo, exibir programas desses dá a imagem retrógada de um povo que parece agarrado àquelas bocas parvas de "dantes é que era", "havia de aparecer alguém para pôr ordem nisto", "antes do 25 de abril é que se fazia como deve ser e não havia cá pão pra malucos", essas merdas...


continua a entrar gente nova naquela estação. quer dizer, ainda por lá anda a dina aguiar, mas se pretende mostrar sinais de evolução, então que evolua realmente, mostrando que estou errado se afirmar que apesar dessa gente nova toda ainda parece que lá mandam pessoas que já lá mandavam nos anos 80...


senão a direcção de programação do canal que nós pagamos arrisca-se a fazer jus à senhora das limpezas de que a maria rueff tão genialmente se foi lembrar...


isto para não falar de programas como aqueles que a sónia araújo e a catarina furtado agora apresentam. não consigo entender como não serão eles arruinantes para as finanças da rtp. compensará assim tanto a publicidade aqueles programas com aquela produção caríssima? e não é só isso, são na mesma linha dos programas de homenagem irritantes e anacrónicos. mas se a tvi também criou um programa desses, bem, talvez isso prove que estou errado, e que portugal ainda é assim e não como um o crio ou sonho. quer dizer, eu sei que há um país que quase só liga a tvi.


pois eu entendo o porquê das jornalistas na benfica tv fazerem erros graves no que toca a bom jornalismo em directo (aqueles 'ahms'...), pois são muita giras e o canal não é propriamente o sítio ideal para exibir a oprah, e também entendo porque isso também acontece na tvi (pelas mesmas razões estéticas). compreendo perfeitamente a linha editorial da sic ao chegar-se à da tvi em busca de audiências fáceis. deverei compreender então porque o canal público faz por vezes assim de maneira igual? mesmo quando exibe corpos amarelados em decomposição em grande plano às 8 horas da noite quando todas as famílias estão a jantar em frente à teelvisão?


tolo de mim em pensar que os funcionários públicos daquele canal seriam diferentes dos outros... foda-se, é altura de acordar, já não tens 16 anos.

Sem comentários:

Enviar um comentário